• Érica Catanho

Alegria: O show mais encantador do Cirque du Soleil


Nas duas últimas semanas eu tive a oportunidade de assistir ao espetáculo Alegria: in the new light, na cidade de Toronto, Canadá. Ao todo assisti ao show 4 vezes: 3 na plateia (coladinha no palco) e 1 no backstage. E pela primeira vez, irei compartilhar as minhas impressões pessoais sobre um show do Cirque du Soleil... Enjoy!

Acro Poles: Trabalho em equipe e confiança descrevem esse número, que acompanhado da nova versão da música Mirko e do tom imponente e ao mesmo tempo divertido dos aristocratas, te faz dar muitas gargalhadas.

Crossed Wheel: O Cirque du Soleil é atualmente conhecido pelo seus fãs como o Cirque du Wheel, uma vez que praticamente todos os seus shows apresentam esse número. Mas pouco deles funcionam tão bem como em Alegria. O artista e criador do ato Jonathan Morin, cria uma ilusão de ótica com as rodas cruzadas, que é impossível você não ficar hipnotizado durante todo o número.

Synchronized Trapeze Duo: As Minhas primeiras lágrimas caíram durante esse ato. Já esperava um número de altíssima qualidade técnica, mas Roxane Gilliand e Nicolai Kuntz superaram todas as minhas expectativas. Eles parecem dois irmãos que saem juntos para brincar em um balanço. Cada um tem seu solo no trapézio e, é lindo ver que o outro para completamente o que está fazendo para apreciar seu parceiro.

Fire Knife Dance: Tuione Tovo literalmente “brinca com o fogo”. Durante todo o ato você fica tentando achar um truque, pois não é possível que alguém consiga manipular o fogo, mas Tuione, que durante todo o ato está sorrindo, faz isso com a maior destreza e precisão.

E o que falar do solo de bateria de Didi Negron? Esse foi o momento mais esperado por mim e o responsável por me fazer encarar mais de 10 horas de voo até Toronto. E valeu muito a pena. É fantástico ver como ela faz o palco tremer e mantém o ritmo de uma forma incansável. Nesse momento eu ria, gritava e chorava de emoção por poder assisti-la novamente no palco. O solo é encerrado com um grito - Mari marrari Ih macadí masê Maca dá - da Black Singer que meu Deus…que voz, que momento! Uma pena não ter essa parte no cd oficial do show, mas está disponível no minuto 5:49 desse vídeo aqui.

Infelizmente, por conta de queimaduras sofridas pelo artista, eu só tive a oportunidade de ver esse número em uma das 4 sessões que assisti. Mais um motivo para eu assistir ao show novamente!

Aerial Straps: Infelizmente na minha primeira sessão o número foi executado apenas pela Catherine Audy, mas tive a sorte de assistir ao duo, formado por ela e Alexis Trudel, nas sessões seguintes. Essa é a primeira vez que a música Alegria (tema do show) é tocada durante o espetáculo e vi muitas pessoas na plateia emocionadas com a beleza desse ato. Durante todo o número é possível ver a “neve” caindo, o que torna ainda mais belo esse momento.

Hula Hoops: Para mim, que me apaixonei pelo Cirque du Soleil através do espetáculo Alegria, esse foi um dos momentos mais esperados da noite. Uma honra assistir Elena Lev ao vivo executando o mesmo ato de 25 anos atrás. É possível ver, através da expressão do seu rosto, o quão grata ela se sente por estar em “casa” novamente

O ato é lindo e mais lindo ainda é ver a interação dos demais bronxs que a ajudam durante sua apresentação. Há um tom de respeito e reverência por estarem na companhia desse mito.

Powertrack: Esse é um dos números mais animados do show. Os acrobatas voam sobre o palco, com precisão e força. E eles são tão bonito que fica difícil se concentrar no ato. Eu queria guardá-los todos em um potinho e trazer para o Brasil.

Handbalancing: Esse é o ato mais sexy do show. A artista é excelente e tem um presença de palco incrível. Eu esperava esse ato ao som da música Taruka (uma das minhas favoritas) mas foi apresentada com Vai vedrai, que acompanhada do violino e do acordeão, dá um tom ainda mais intenso ao número. Vale destacar que esse ato é um backup para o número da Ninfas (hand to hand), e foi executado em todas as sessões que assisti, uma vez que uma das ninfas está lesionada.

High bars: Meu coração parou completamente ao ver a esse ato - eu nunca quis que ele terminasse! Os truques me fizeram ofegar repetidamente e a confiança e o trabalho em equipe foram surpreendentes. Tudo isso o som de Valsajoïa, que definitivamente é a melhor música do show e, o encontro das vozes da White e Black Singer.

Final: lindo, lindo, lindooo. Foi lindo ver a gratidão dos artistas ao público nesse momento.

PERSONAGENS e MÚSICA:

Palhaços: Os Pablos fizeram um excelente trabalho de adaptação ao número da versão original. O ato mostra uma relação que começa com uma uma disputa, mas ao longo do show vai se transformando em amor entre os palhaços. Tão fofos! A tempestade de neve marca o intervalo do show e, nesse momento todo o público passa a fazer parte do número que se encerra com o encontro dos palhaços. A neve continua a cair durante todo o intervalo, e a forma com limpam o palco com o público presente é um show à parte.

Fleur e os aristocratas: Eric Davis está perfeito no papel de Fleur, que é um absoluto idiota. Ele brinca com a plateia durante todo o tempo, assim como os aristocratas que nesse versão estão ainda mais divertidos. Um destaque para a artista Amber Juljames: ela é extremamente engraçada e mesmo com a sua estatura baixa, não tem como você não nota-la no palco.

As cantoras: A reação da maioria dos fãs do Cirque du Soleil ao saber do retorno do show foi: E Francesca Gagnon? Sim, ela é um dos maiores ícones do Cirque du Soleil, mas o Cirque não poderia fazer uma escolha mais assertiva para as novas vozes desse show que Irene Ruiz e Virginia Garcia. Elas se completam tanto como personagem, quanto como vozes, o que fica evidenciado nas músicas: Mirko e Valsajoïa. Nessa nova versão a Black Singer passa de uma voz de apoio para se tornar vocalista do show. Ouvir a força da voz de Virginia é algo absolutamente mágico!

E Irene nasceu para ser a White Singer, e isso ficou ainda mais evidenciado quando eu tive a oportunidade de conhecê-la pessoalmente. A White Singer não é um personagem, é ela: doce e meiga, emprestando sua magnífica voz e encantada com todo o mundo mágico de Alegria.

A banda: Sara a acordeonista traz durante todo o show um tom nostálgico da primeira versão, enquanto Didi, através de suas batidas no bumbo, evoca os dias atuais. Bika, também faz um excelente trabalho com o violoncelo. Eu gostaria muito de ter ouvido ela cantar Taruka, mas como dito anteriormente, essa música foi substituída temporariamente no ato de backup, por Vai Vedrai. A banda é formada ainda pelo bandleader e o baixista, que curiosamente, mesmo não aparecendo em cena, vestem o figurino e a make do show.

Música: eu tive uma pequena decepção ao abrir o CD do show e vê que a maioria das músicas não foram gravadas pela banda do show. Parece que o diretor musical quis ficar com todo o crédito, uma vez que quem executa a maioria das músicas é ele. Mas a pergunta que fica é: Por que o Cirque permitiu que ele fizesse isso com uma banda composta por artistas tão talentosos, o que fica evidenciado durante o show ao vivo... Fica aqui minha indignação com o CD...então caso queiram ouvir as músicas executadas pelas banda (E que banda!), acessem a essa playlist criada com as músicas ao vivo.

Meu veredito final: Esse é o show mais surpreendente do Cirque du Soleil que eu já assisti. Está ainda mais bonito que sua versão original e conta com um cast extremamente competente, dedicado e apaixonado. Eles são apenas brilhantes!!!!

E como é sabido pelos fãs, uma nova criação do Cirque du Soleil leva em média 10 anos para excursionar pela América do Sul. Então, aqueles que tiverem a oportunidade de assistir a esse show antes, em algum lugar do mundo, apenas vá. Eu garanto que essa será uma das melhores experiências de sua vida.

Algumas fotos do Show:

#AlegriainTheNewLight #alegria #CirqueduSoleil #Release

2020 - Cirque Brasil