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Ariunsanaa Bataa - a contorcionista "brasileira" no Cirque du Soleil


A Ásia é reconhecida por ser celeiro de grandes artistas circenses, mas o itinerário feito por Ariunsanaa Bataa, mais conhecida como Aruna, foi diferente. Ela e sua família deixaram a Mongólia, país localizado na Ásia Oriental e Central, ainda criança para realizar o sonho de ser contorcionista no Brasil.

O entusiasmo pelo número começou entre os 4 e 5 anos de idade, quando acompanhava seu pai e avô no circo que trabalhavam. A artista que faz parte do Cirque du Soleil há 9 anos, rememora essa fase: “Eu sempre tive muita influência circense quando criança, via as contorcionistas e ficava encantada e era o meu sonho de infância ser contorcionista”.

Aos 7 anos de idade começou pra valer a praticar contorcionismo, porém não se adaptou as metodologias aplicadas pelas treinadoras na Mongólia. “Nunca achei a professora ideal para mim. Como eu não sou flexível de natureza eu sentia muita dor e lá as professoras me forçavam muito, então meus pais desistiram”.

O desejo de aprender as técnicas de contorção foi interrompido por pouco tempo, pois assim que sua família decidiu mudar para o Brasil ela retomou aos treinos, só que dessa vez com um treinador especial: “O meu pai nunca foi contorcionista, mas decidiu me ensinar porque era o meu sonho. Ele foi o meu melhor professor, aprendi sem dor nenhuma e tudo na brincadeira”.

Aruna aprendeu com o pai não só contorcionismo como também o número de parada de mão. “O meu pai continua me treinando e sempre que pode vem me visitar e assistir aos shows que eu estou trabalhando”.

PRIMEIRAS APRESENTAÇÕES

A primeira apresentação para o público foi no aniversário de 9 anos no circo do Beto Carrero, e desde então, nunca mais parou de se apresentar. Devido as temporadas em diversas regiões, Aruna conheceu o Brasil inteiro e alguns países da América do Sul.

Contudo, seus pais decidiram fixar moradia em Santa Catarina para que ela e seu irmão pudessem se dedicar mais aos estudos. As apresentações ficaram concentradas na sede do Beto Carrero World, onde trabalhou de 2005 a 2009.

INCENTIVO

Mesmo apaixonada e inserida há muitos anos no universo circense, Aruna estava focada em concluir a graduação de Direito e passar no exame da OAB - Ordem dos Advogados do Brasil, com a intensão de se tornar uma advogada competente.

Apesar disso, familiares e amigos não deixavam de incentivá-la para tentar uma oportunidade na companhia canadense. Ela nunca tinha imaginado fazer parte do casting do Cirque du Soleil, mas decidiu encaminha um material em vídeo.

“O meu ex-namorado me convenceu a fazer um vídeo do meu número e mandar para o Cirque, então fiz e mandei tudo online, depois de uns 7 meses eles começaram a me procurar pelo Brasil inteiro, mas na época, eu estava de férias com a minha mãe na Mongólia. Quando eu voltei de lá foi uma loucura”.

Na passagem do espetáculo ‘Quidam’ em 2009 pelo Brasil, Aruna foi contratada com urgência para substituir Olga Pikhienko, artista titular do número de parada de mão.

Ela trabalhou temporariamente no Cirque por 4 meses com a autorização do Beto Carrero World. Após o retorno da Olga ao show, a contorcionista voltou a se apresentar no circo em Santa Catarina”.

INGRESSO DEFINITIVO AO CIRQUE

Após 6 meses, o Cirque du Soleil a contatou novamente para integrar a equipe de artistas, só que dessa vez para um contrato permanente. O ‘Saltimbanco’ foi o seu primeiro show efetivo, ficando nesse espetáculo até o seu término. Em seguida foi convidada para “OVO”, espetáculo itinerante da companhia.

A oportunidade de fazer parte da maior companhia circense do planeta é motivo de orgulho para a contorcionista: “Eu me sinto muito realizada em estar trabalhando no Cirque, acredito que para artistas circenses é uma ótima oportunidade de se desenvolver em sua carreira e também viajar pelo mundo”.

DESAFIOS DA PROFISSÃO

Muitas pessoas imaginam que ao entrar para o time de artistas do Cirque Du Soleil terá trabalho garantido. Porém, Aruna esclarece que não é bem assim. Ela contou que a dedicação, a criatividade e a disciplinas são elementos fundamentais para se reinventar e manter o padrão de qualidade exigido pelo circo e esperado pelos fãs e espectadores dos shows.

“Entrar no Cirque é só o primeiro passo… ficar no Cirque e trabalhar por muitos anos é uma outra história. Trabalhamos com artistas e ginastas top, então você sempre tem que se desenvolver, se dedicar e manter uma linha top. Aqui não tem moleza ou frescura”.

A contorcionista mongoliana tem uma rotina mais independente em relação aos demais artistas, por apresentar um número solo no palco. Isso permite que além dos ensaios antes e após os shows realize também outros treinos, como a musculação e a prática o ‘hula hoops’ (bambolê).

VIDA DE ARTISTA CIRCENSE

As apresentações em cidades e países diferentes, a rotina de estar sempre viajando com a companhia desperta ainda mais a saudade de casa, da família e amigos. De acordo com Aruna, com o tempo essa saudade é administrada melhor, mas recorda que o início foi bem desafiador para ela, que nunca tinha ficando tanto tempo longe dos pais.

Em relação ao convívio com os colegas, ela disse tirar de letra por estar há muito tempo no circo e compreender e respeitar a cultura dos artistas das inúmeras nacionalidades que fazem parte do elenco. Segundo Aruna, a adaptação mais difícil é para quem está chegando, mas com o apoio dos demais colegas acabam se acostumando com a nova rotina.

NOS TEMPOS LIVRES

Nos dias de folga em turnê, ela busca explorar o país e cidade em que está trabalhando, tentando aproveitar ao máximo os pontos turísticos e históricos para conhecer ainda mais a cultura local.

Já nas férias geralmente visita os pais, que voltaram pra Mongólia, o irmão que ainda continua no Brasil e também o namorado dependendo de onde ele esteja. Mas também reserva um espaço nesse intervalo para conhecer países que nunca teve a oportunidade de visitar.

E nessas viagens pelo mundo com o Cirque, ela classifica o Japão como o melhor país que já conheceu até o momento. “No Japão me senti muito segura, a comida é maravilhosa, tem tudo que você imagina e não imagina… as pessoas são muito educadas. Enfim, o Japão é um país que você ou ama ou odeia… eu Amei!”.

PLANOS PARA O FUTURO

“Eu espero que eu esteja trabalhando no Cirque por mais uns 5 a 10 anos independentemente de como artista ou não, sou certificada como personal trainer e também em uma modalidade de pilates. Pretendo continuar estudando pilates dar aulas sempre que puder de contorção, parada de mão, pilates, etc, assim podendo ser o primeiro passo para no futuro ser técnica no Cirque”.

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