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Wellington Lima comemora 20 anos no Cirque du Soleil


Há vinte anos levando ao público do Cirque du Soleil o número de trampwall, o pernambucano Wellington Lima recorda que optou pela disciplina e responsabilidade para nortear a sua carreira. As duas décadas na companhia o fez enxergar o seu importante papel nos espetáculos, que serve para muitos como fonte de inspiração.

“Hoje em dia não é fácil entrar em um espetáculo do Cirque du Soleil, agradeço a Deus pela oportunidade de todos os dias estar no palco e dar o melhor de mim, e não só proporcionar um sorriso para alguém como também receber esse sorriso de mim mesmo”.

Atualmente Wellington tem uma carreira consolidada e com grandes feitos, mas nunca tinha imaginado fazer parte do elenco de artistas do ‘Cirque’. O seu desejo ainda criança era de praticar capoeira, por conta das técnicas e acrobacias aplicadas na modalidade.

A capoeira de certa forma o levou para a ginástica artística, já que sua avó não queria que ele fizesse a luta. Ela via a ginástica como um esporte que possibilitaria assim como a capoeira, o desenvolvimento dessas habilidades. Desta forma, permitindo o ingresso do neto ao esporte aos 11 anos de idade, em Recife.

Wellington participou de competições estaduais e regionais, treinou em ginásios e com técnicos de outros estados. As experiências colaboraram para dar um novo salto na profissão aos 17 anos de idade: fazer o teste de ingresso para o Cirque Du Soleil.

Após passar na audição do Cirque, na cidade do Rio de Janeiro em 1997 com mais de 100 artistas, Wellington foi selecionado entre os 10 para fazer parte do casting da companhia: “Dentre esses 10 selecionados só 5 vieram para cá para fazer a criação do ‘La Nouba’, fui o único acrobata desses cinco selecionados. Me senti com uma grande responsabilidade porque sabia que no Cirque só trabalhava gente de alto nível, os melhores dos melhores”.

Durante esse 20 anos muitas coisas mudaram não só para os artistas como também para a equipe dos bastidores. Wellington acredita que mudança é crescimento, e o desafio constante de criar, surpreender, emocionar e se reinventar sem deixar a essência circense, continua sendo a prioridade do Cirque du Soleil, para acompanhar os novos tempos. E esse conjunto de fatores a mantém como referência, e é algo que o orgulha muito em fazer parte.

Por considerar importante desenvolver outras habilidades que possam colaborar com novos números, o pernambucano além da especialidade em trampolim de parede aprendeu também outras modalidades, como: tecido, dança, roda alemã e Cyr Wheel.

Em relação ao número de Trampwall, Wellington mesclou a capoeira, que aprendeu ainda criança, com as técnicas de ginástica artística e de trampolim acrobático para montar números inéditos. E o resultado da junção dessas habilidades possibilitou na criação artística e técnica de outros números de trampolim para alguns shows que existem até hoje no Cirque.

No mês de maio, Wellington Lima comemora o seu vigésimo ano no circo. Ele fez um balanço de sua trajetória na companhia, que não foi planejada porém, muito bem-sucedida.

“Eu me sinto realizado em trabalhar no circo, na verdade não era isso que eu sonhava para minha vida, mas é isso que a vida tinha sonhado para mim e hoje em dia me sinto feliz em poder inspirar e transformar a vida de muitas pessoas que vem assistir os espetáculos que eu faço parte”.

CAPOEIRA E GINÁSTICA NA INFÂNCIA

Wellington começou na ginástica artística aos 11 anos por causa da capoeira: “Estava vindo da escola e vi alguns garotos do meu bairro fazendo acrobacia e eu me encantei com aquilo, e quis aprender”.

Porém, a sua avó tinha receio em deixá-lo fazer capoeira devido a discriminação que os praticantes geralmente sofriam por relacionarem a luta a pessoas que ‘não estavam envolvidas em coisas boas’.

Mas Wellington conseguia enxergar além dessas especulações. Não é à toa que a luta até hoje o inspira e ajuda a executar melhor os movimentos devido a noção de espaço que a a modalidade proporciona. “É uma forma de autoconhecimento. E a verdade tem que ser dita, a capoeira brasileira abraça todas as culturas”.

Em 1991, um ano após iniciar na capoeira, começou a treinar ginástica artística, e em dois anos aderiu aos treinos de ginástica de trampolim com um professor da Universidade Federal de Pernambuco, em Recife

A partir desse período se mudou para São Paulo para intensificar ainda mais os treinos de trampolim acrobático. “Quando fui morar em São Paulo viajava por duas horas para poder treinar, mas tudo isso valeu a pena porque eu tinha um bom treinador que se chama Cláudio Urbini (in memória), que me acolheu, me fez sentir que eu tinha futuro. Eu sou muito grato a ele e a todos professores que me ajudaram a ser o profissional que eu sou hoje”.

Em 1997 foi campeão brasileiro de trampolim, por idade na categoria adulta e mudou para o Rio de Janeiro, onde na semana em que chegou para treinar com a Seleção brasileira de trampolim acrobático soube que estava acontecendo uma audição para o Cirque du Soleil.

COMO CHEGOU AO CIRQUE

Wellington conheceu o Cirque Du Soleil através da televisão. Ele assistia aos domingos o programa ‘Fantástico’ da TV Globo, que sempre apresentava trechos de shows da companhia canadense. “Aquilo me encantava, mas meu sonho era representar o Brasil em atividades relacionadas ginástica artística ou de trampolim”.

Mesmo não sendo uma prioridade, logo que chegou ao Rio de Janeiro para dar continuidade aos treinos de trampolim foi incentivado a participar das audições que estavam acontecendo na cidade.

Ele recorda que era o número 71 de cerca de 120 candidatos que estavam participando dos testes. Diferente de muitos, ele não ficou nervoso, conseguiu se destacar na audição e foi um dos escolhidos para trabalhar no Cirque.

Assim que chegou a companhia conheceu Roberto Silva, o primeiro brasileiro a trabalhar no espetáculo ‘Mystery’. Dentre os artistas brasileiros do segundo grupo a trabalhar no Cirque du Soleil, Wellington é o único que continua no casting da Companhia.

LINHA DO TEMPO

  • 1998 – ‘La Nouba’, primeiro espetáculo de Wellington Lima pelo Cirque Du Soleil;

  • 2002 – Participação especial no Oscar;

  • 2004 – ‘Dralion’ show que destacava os contrastes e conflitos entre o oriente e ocidente;

  • 2009 – Fez parte do espetáculo ‘Viva Elvis’;

  • 2013 – Ano em que iniciou no show em homenagem ao rei do pop ‘Michael Jackson One’. Continua se apresentando até hoje no espetáculo;

  • 2015 - Participação especial nos jogos Pan-Americano na cidade de Toronto, na província de Ontário, no Canadá;

  • 2017 – Participação especial no espetáculo ‘OVO’.

VIDA EM LAS VEGAS

O artista de trampolim teve a oportunidade de trabalhar em shows itinerantes e em espetáculos fixo, conhecidos também como shows residentes. Esses dois modelos de trabalho tem aspectos distintos não só a rotina de trabalho como também na vida pessoal.

No caso do espetáculo residente, o artista é responsável por sua vida pessoal em relação a moradia, transporte e alimentação. O profissional também precisa se organizar para adequar a sua rotina aos treinos e shows que acontecem cinco vezes por semana, duas vezes por noite, totalizando 480 shows por ano.

Já nos shows itinerantes o Cirque é responsável pelos artistas e também ajudam com alimentação, transporte e local para ficar durante a semana de apresentações na cidade. Wellington diz que o legal do show itinerante é que a equipe pode conhecer vários lugares durante as temporadas nos diversos lugares que o Cirque passa.

Atualmente ele faz parte do espetáculo ‘Michael Jackson One’ em Las Vegas e também concilia a agenda com um trabalho voluntário com o circo, realizando palestras para inspirar crianças e adolescentes. Além disso, é o responsável e professor de um grupo de capoeira com 60 alunos, na faixa etária que varia entre 2 a 50 anos de idade.

“Hoje em dia eu sou professor aqui em Las Vegas e fico muito feliz em passar adiante, aquilo que aprendi e ainda estou aprendendo, além de valorizar a nossa cultura. Porque a vida é um círculo”.

Mesmo com uma rotina bem intensa, ele aproveita as folgas numa das cidades mais populosas do estado americano de Nevada para ir ao cinema, se exercitar, fazer ioga, explorar um pouco a natureza, ler livros, dançar salsa e também namorar. Em período de férias, sempre que pode visita seus familiares e amigos no Brasil, e pelo menos uma vez por ano tenta conhecer novos lugares ao redor do mundo”.

O FUTURO

Continuar fazendo shows até quando o corpo ‘pedir para se aposentar’ e realizar um dos grandes sonhos, que é ter um orfanato no Brasil são alguns dos planos Wellington que almeja para o futuro. Mas enquanto isso, tem como foco entrar no palco e fazer sempre uma grande show para o público.

“Em todas as apresentações carrego comigo os ensinamentos e lições que meus amigos professores e familiares me deram. Tenho orgulho de ser brasileiro e de poder representar o meu país no palco do CDS (Cirque Du Soleil). E que venham mais 20 anos!”

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