Cássia Raquel: A voz brasileira em ‘Alegria’


Após 1 ano e 8 meses com todos os shows parados devido à pandemia, o Cirque Du Soleil está voltando gradativamente as atividades nos países em que a Covid-19 está mais controlada e seguindo os protocolos de segurança sanitária. O espetáculo ‘Alegria’, um dos mais conhecidos da companhia circense foi o primeiro show em formato turnê a retomar, no dia 13 de novembro, e com novidades: a brasileira Cássia Raquel é a nova cantora da atração.


Com a reformulação em 2019, ‘Singer in Black’, uma das duas cantoras do show, ganha mais protagonismo. Cássia Raquel dá voz a personagem, que incorpora o compromisso, tenacidade e o poder indomável da esperança. Esse é a primeiro trabalho da artista no Cirque Du Soleil.


O interesse em fazer parte do time de cantores partiu após assistir ao ‘Corteo’, em São Paulo, e pelo incentivo que recebeu de três pessoas para se inscrever. Mas para chegar ao palco do Cirque ela participou de várias audições, todas online e cumprindo os requisitos para as avaliações: “Eu não fiz teste presencial. Mesmo antes da pandemia. Na primeira vez devem ter feito alguma triagem das pessoas com o perfil determinado e deram um prazo: enviam as partituras, orientações de como deveria ser feito, sem exigência de grandes produções, nem de vídeo e nem de áudio, mas sem ter cortes e edição”.


A última etapa foi no início da pandemia, logo não estava mais esperando receber retorno das baterias de testes que realizou para ingressar ao espetáculo: “Nesse dia eu acordei bem tarde, e quando eu abri o celular e vi o e-mail, dei um pulo da cama de alegria”, rememora Cássia.


O processo de preparação para o retorno à tenda de ‘Alegria’ foi em Montreal e marcado por reuniões e ensaios com o propósito de ajustar os detalhes finais e integrar os artistas novatos. Cada equipe teve seus ensaios separados com seus respectivos instrutores.


Em Montreal, Cássia fez os ensaios individuais sob o acompanhamento da instrutora vocal Estelle Esse e uma única

passagem com Irene Ruiz, intérprete de ‘White Singer’, antes de realizar uma apresentação juntas para a direção na Big Top de ‘Alegria’ em Houston, EUA – cidade que atualmente recebe o espetáculo.


Como característica do maior circo do planeta, a qualidade e diversidade artística são os pontos observados com facilidade pelo público. Porém, para quem tem a oportunidade de também vivenciar os bastidores, como Cássia, destaca que a possibilidade de conviver com profissionais de diferentes nacionalidades permite maior aproximação com novas culturas e idiomas. Algo que ela classifica como enriquecedor: “90% das vezes falamos inglês, que é o idioma oficial do Cirque, ainda que tenha sede em Montreal e lá se falar bastante o Francês. Mas cada um fala um idioma... acho que sairei daqui poliglota ou pelo menos sabendo só um pouquinho de cada língua”.


Além do ‘intercâmbio cultural’ a profissional vê em “Alegria” mais uma possibilidade de representar o Brasil - com mais três artistas brasileiros no show, em representar a mulher preta e a negritude com um alcance ainda maior.


“É muito forte! No Brasil eu já sentia que eu representava muita gente. Muitos passaram a assistir peças porque eu estava no elenco. Muitas pessoas chegaram para mim dizendo que começou a escutar mais música porque tinha ouvido minha voz. Agora que estou nesse ambiente, e sei que novas pessoas vão se interessar também pelo teatro”.


Para Cássia, o nome do espetáculo resume bem a sensação em compor o time, pois une a curiosidade de conhecer o mundo por meio do seu talento; uma espécie de ‘passaporte’ para vivenciar tantas experiências artísticas e multiculturais.


“Nossa, me sinto mais que realizada. Eu sempre me imaginei viajando o mundo, e o Soleil foi uma das formas. E poder viajar enquanto estou trabalhando, fazendo o que eu gosto, com pessoas muito legais é um combo maravilhoso. Então é um sonho realizado, sim!


“Na verdade, meu namorado fala que eu zerei o jogo rs... depois não tem mais para onde ir”.

Nos dias de folgas de um show para outro ela aproveita o day-off para se alimentar bem, cuidar da saúde mental através da meditação, praticar atividades físicas, descansar e cuidar das cordas vocais, assistir filmes, e jogar games pelo celular como método para enfrentar as mudanças bruscas e a saudade de familiares que estão no Brasil.


Contudo, já planeja se aventurar mais pelas cidades dos shows quando estiver mais estruturada: “Nesse primeiro período momento eu não vou fazer muita coisa. Depois que eu já estiver mais adaptada, mais ajustada financeiramente, meu namorado vem para cá, minha família também deve vir em breve, aí conseguirei bater perna rs”.




MUSICALIDADE NA VEIA


O talento começou em casa e com o incentivo dos pais. Na infância, Cássia acompanhava seu pai, que antes de ser pastor, era músico e fez alguns trabalhos para o carnaval, como cantor, músico e compositor. Logo, a arte sempre esteve atrelada a vida da cantora.


Frequentadora da igreja, viu nos louvores e adoração como mais um incentivo para se desenvolver como musicista. Era convidada para cantar em outras igrejas e participar de convenções, congressos e nas festas de 15 anos das amigas. Na época também aprendeu a tocar bateria por uma necessidade da igreja e realizou cursos para aprofundar os conhecimentos.


Eu sempre tive esse acesso a música, mas estudar, com partitura, teoria e prática mesmo foi bem tarde, adolescente, com 16 anos em projetos sociais. Cheguei até tocar clarinete em orquestra, já me imaginando em bandas militares...ainda bem que não deu certo, ne? Hahaha...”




DO DOM PARA A FORMAÇÃO


Além da prática de canto nas igrejas e eventos, Cássia continuou estudando em cursos de aperfeiçoamento, como o da casa do Humor, com foco em técnicas de improvisação para ampliar o grau de criatividade, agilidade e percepção durante as apresentações, e também se formou em bacharelado de canto pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e está concluindo Gestão Escolar pela USP (Universidade de São Paulo).




PARTICIPAÇÃO EM ‘TALENT SHOW’ NA TV


2008, Cássia participou da primeira edição na TV Record do talent show “Ídolos”. Ela teve um retorno de imediato do público da TV através das redes sociais, que gostaram do seu desempenho no programa. Muitos continuaram acompanhando a sua carreira após o fim da temporada.


“As pessoas passaram a frequentar o teatro e as turnês por minha causa, porque gostaram da minha voz...criaram o interesse. E querendo ou não, é representatividade, por ser uma pessoa de subúrbio, que veio da igreja para fazer teatro e peças de grandes nomes”.


Entretanto, também conheceu o lado negativo do show. “Não se pode esquecer que é um reality show, e tem muito haters de internet - talvez na época não tinha esse nome, mas eu sofri muito com isso. Muito racismo, muito machismo. Foi uma experiência única, válida, mas não para ser repetida...eu sempre falo isso. Mas também me transformou muito: a Cássia antes de ídolos e a Cássia depois de ídolos são pessoas totalmente diferentes”.



CARREIRA


Ao longo dos últimos anos Cássia Raquel se consolidou com cantora, participando de diversos musicais de renome, como:

  • Hair (2010);

  • Milton Nascimento - Nada será como antes (2012);

  • New York, new York (2013);

  • Todos os musicais de Chico Buarque em 90 minutos (2014);

  • Simbora, a história de Wilson Simonal (2015);

  • Galinha Pintadinha em o Ovo de novo (2015);

  • Beatles num céu de diamantes – 2016;

  • 60 doc musical – década de arromba (2016);

  • Les miserábles (2017);

  • O homem de la mancha (2018);

  • Ícaro and the Black Stars (2019);


DUBLAGEM – NOVO DESAFIO COM A VOZ


Durante a pandemia, Cássia recebeu algumas propostas para dublagem e aceitou o desafio fora da sua zona de conforto, pois não tinha realizado tantas dublagens por texto. Sua experiência, até então, era mais voltada para dublagens cantadas, como solista e em coros: “Tenho até se averiguar se o último filme que eu fiz já está no ar. Nesse eu fiz três personagens na mesma cena. É um trabalho vocal para cada uma ter uma voz totalmente diferente e de acordo com personalidade das respectivas personagens. E não parecia ser a mesma pessoa dublando as três. Foi um desafio muito legal”.


Nesse hiato entre as audições também fez alguns cursos de dublagem para adquirir mais técnicas porque acredita que pode aplicá-las em algum momento no palco.



 

DETALHES SOBRE ‘ALEGRIA’



Amado por fãs de todo o mundo, o icônico show Alegría volta ao palco para compartilhar sua história atemporal mais uma vez. A clássica luta pelo poder entre e o velho, é reinterpretada para o público de hoje.

Alegria é a história nostálgica de uma monarquia que perdeu seu rei. Os Old Birds, que resistem à mudança e se apegam a velhos valores, pairam em torno de Fleur, um homem ardiloso e sedento de poder que se proclama rei. Fleur e os velhos pássaros, com suas ideias antiquadas, lutam para manter o poder em um mundo que eles não entendem mais. Por outro lado, o Bronx, a próxima geração forte e confiante, abraça a modernidade e se esforça para derrubar seus opressores para construir uma nova sociedade florescente. Acompanhe a história de Alegría, um mundo onde a velha ordem está sendo desafiada e substituída por algo novo e desconhecido.

Como um hino para a mudança, esperança e renovação, Alegría está de volta em turnê para energizar os fãs com um espírito alegre para um amanhã mais brilhante e inspirador.



 

Crédito das fotos: Arquivo pessoal - Cássia Raquel

MA Lemire © 2019 Cirque du Soleil


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